2009-02-07

O drama de Domingos Dias Santos

O Toze desafiou-me para, a partir duma frase, dar largas à imaginação e elaborar um pequeno texto. Toze, Toze, olha que é perigoso pedir-me uma coisa dessas...

“O maior desgosto de Domingos Dias Santos era não saber escrever. A sua vida estava cheia de desgostos, mas todos se resumiam em um único – não saber escrever.” In Ficções, José de Almada Negreiros

Domingos Dias Santos era um palhaço dos grandes. Trabalhava no Circo e tinha precisamente 1,93 metros. Esse era um dos seus desgostos, pois fazia com que a anã Julieta, do baixo dos seus 137 centímetros, o rejeitasse, pois não gostava assim tanto de sexo oral e tinha medo de ser transformada numa espetada humana. Para alguém que se chamava Domingos Dias Santos, Domingos Dias Santos não fazia justiça ao seu nome, uma vez que era ao Domingo que o trabalho apertava, com um show de manhã e outro à tarde.

Aí, Domingos Dias Santos (começo a ficar farto de escrever este nome) colocava o seu nariz vermelho, os seus sapatos esguichadores e inundava a arena com as suas quedas e tropeções, para gáudio da criançada. Pelo canto do olho via Julieta a cavalgar um porco, enquanto lhe afagava carinhosamente as orelhas. Ah, como ele gostaria de ser porco... esse era outro dos seus desgostos, tinha uma paranóia com a limpeza, tudo na sua roulotte tinha de estar imaculado, mesmo o tecto onde batia constantemente com a cabeça, deixando ocasionalmente uns salpicos de sangue. Sim, também tinha desgosto em viver numa roulotte.

Mas o maior desgosto de todos, se não leste a frase inicial, era não saber escrever. Soubesse ele manejar a caneta sem ser para tirar o cerume das orelhas e poderia então dissertar a Julieta, oferecendo-lhe poemas incendiários de paixão. Poderia escrever ao dono do talho, contando-lhe do paradeiro do porco que lhe tinham surripiado. Poderia escrever ao dono do circo, protestando pelo facto da sua habitação ser tão baixa. Mas não o fazia, porque não sabia escrever. E porque é que Domingos Dias Santos não sabia escrever? Porque além de mudo era burro que nem uma porta...

7 comments:

Niagara said...

Será que sou outra vez o primeiro?
Ah, meu ganda malandro que nem leste o post!
Mas quem não sabe escrever não usa a caneta para tirar o cerume da orelha! Usa a chave...
eheheheheh!!!!

Mel said...

LOOOL, estes desafios para ti são mesmo muito perigosos...:D

Toze said...

E fica muito bem aqui Rafeiro :)

Mas que bela Palhaçada (no bom sentido, claro:)))))

Obrigado
Abraço

Teté said...

Coitado do Domingos Dias Santos, deste-lhe uma vida bem tristinha... a começar por essa Julieta, que não queria ser transformada em "espetada humana"! :)))

Alto, mudo, burro, sem saber escrever e ainda com a mania das limpezas?! Hummm... se calhar não era só pela diferença de alturas, que o amor dele não era correspondido... :D

Beijocas!

isabel mendes ferreira said...

e seria mesmo necessário saber escrever....
para saber sentir?


:)



beijo. perfumado.

Teté said...

Como deves de andar muito tristinho por falta de desafios, resolvi desafiar-te para mais um, EXPLICITAMENTE! :)))

Fui... (lançando beijocas de longe!)

Rafeiro Perfumado said...

Niagara, a chave? E achas que todas abrem as orelhas? Abraço!

Mel, um dia ainda são a minha desgraça!

Toze, espero que o desafio tenha ficado cumprido! Abraço!

Teté, a Julieta era uma parva, há por aí muita mulher que mataria por ter um DDS como este. Pelo menos nunca se queixaria que o tampo da sanita tinha pingas... Beijo!

Isabel Mendes Ferreira, claro que não, a Julieta que o diga! Beijo!

Teté, sua desgraçada, mantém-te mesmo à distância!